Floresta Ativa

20160315_153415Agrega um conjunto de práticas e soluções adaptadas para o desenvolvimento territorial integrado, que visam gerar benefícios diretos à população tradicional envolvida e servir de referência em tecnologias socioambientais replicáveis para Unidades de Conservação da Amazônia.

Ciclo da madeira e monocultura da soja trouxeram grandes impactos socioambientais

Historicamente, a região do Oeste Paraense onde atuamos, acumulou um passivo de exploração predatória, sobretudo da madeira, agravada na década passada pelo crescimento acelerado do agronegócio proveniente do sul e centro-oeste do Brasil, gerando intenso fluxo de ocupação predatória na região.

A partir de 2005, a mobilização social contra o processo que se instalava e pela regularização fundiária surtiu alguns efeitos positivos, influenciando o surgimento de medidas governamentais importantes, como a criação de um mosaico de áreas protegidas no oeste paraense – Unidades de Conservação (UC), Territórios Indígenas (TI) e Assentamentos – fundamentais para redução dos conflitos e do desmatamento.

Por serem habitadas em geral por povos tradicionais que vivem do extrativismo e da agricultura familiar, estas áreas representam um passo significativo para assegurar o direito à terra.  Por outro lado, aumentaram a responsabilidade dos moradores na gestão dos seus territórios, demandando apoio para viabilizá-los social, econômica e ambientalmente.

É sob esse desafio que se insere o Floresta Ativa, na soma de esforços para construir estratégias socioambientais inclusivas e replicáveis buscando não apenas elevar a qualidade de vida das populações tradicionais, como também contribuir com referências demonstrativas para consolidação da política de Áreas Protegidas para Amazônia.

Screen Shot 2015-07-31 at 2.45.08 PMInicialmente o programa vem sendo desenvolvido na Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, uma Unidade de Conservação (UC) de quase 650 mil ha, nas zonas rurais de dois Municípios do oeste paraense – Santarém e Aveiro. Embora tenha sido criada em 1998, continua com os mesmos desafios das novas UCs. É a Reserva mais populosa do Brasil, com cerca de 22 mil moradores, distribuídos em 74 comunidades, em sua maioria populações tradicionais agroextrativistas de baixa renda e em situação de vulnerabilidade econômica e social.

População vive do extrativismo e da agricultura familiar que precisam ser melhor aproveitadas

População vive do extrativismo e da agricultura familiar que precisam ser melhor aproveitadas

Seus moradores vivem em sua maioria do extrativismo e da agricultura de corte/queima. Caçam, pescam, criam pequenos animais, plantam lavouras (mandioca, feijão, milho, jerimum, algumas frutas e castanhas) e coletam produtos da floresta (madeira, látex, mel, cipós, talas, resinas, óleos, sementes, folhas e raízes).  O potencial do extrativismo, no entanto, é pouco aproveitado economicamente. E a prática do corte/queima na agricultura por carência de novas tecnologias, a médio e logo prazo pode representar uma diminuição das áreas de florestas para plantio de roçados com baixa produtividade.

Nesse contexto, a proposta é incentivar e melhorar a geração de renda dos moradores, a partir do melhor aproveitamento econômico dos produtos do agroextrativismo, do fortalecimento da agricultura familiar e da obtenção de benefícios com a prestação de serviços ambientais para proteção da natureza. Capacitamos os moradores em técnicas e sistemas produtivos mais modernos e eficientes, que ao mesmo tempo preserve a floresta existente, garanta a segurança alimentar das comunidades e melhore as condições econômicas e de vida dos moradores.

Nossos objetivos:

✔ Desenvolver exemplos práticos de uso sustentável dos recursos naturais na Amazônia;

✔  Contribuir para evitar o desmatamento, as mudanças climáticas e a manutenção das funções ambientais que a floresta em pé representa para o equilíbrio ecológico do planeta;

✔ Promover alternativas produtivas eficientes e competitivas, para melhoria da renda das comunidades e a preservação da floresta;

✔ Melhorar a qualidade de vida e o acesso à serviços sociais básicos como saúde, saneamento e educação.

Principais componentes do Floresta Ativa

Centro Experimental Floresta Ativa – CEFA

cefaÉ um pólo de referência para a capacitação e o desenvolvimento de projetos e tecnologias socioambientais replicáveis para toda a floresta. Construído dentro da Resex, na comunidade de Carão, próxima da confluência entre os rios Tapajós e Arapiuns, possui um conjunto de instalações baseadas nos princípios da permacultura e da agroecologia num único sistema integrado de campo.

Os prédios foram construídas usando técnicas de bioconstrução. Além de causar o menor impacto ambiental possível, todo o complexo foi concebido valorizando o conhecimento e savoir-vivre dos povos da floresta que aqui habitam há milhares de anos. A partir de um modelo sustentável de desenvolvimento da região, as construções tiveram como foco eficiência energética, tratamento adequado de resíduos, aproveitamento da luzdo dia, da ventilação natural e reaproveitamento da água da chuva.

O espaço conta com estrutura básica receptiva, com redários e alojamentos com capacidade para receber mais de 200 pessoas servindo de referência prática e educativa para vivência em oficinas, reuniões, seminários e estudos. Além disso conta com instalações vivas, que vem sendo construídas aos mesmo tempo que as comunidades vão sendo capacitadas, já tendo disponível:

✔ viveiro central de mudas florestais;
✔ sistemas de hortaliças orgânicas;
✔ criação de abelhas;
✔ bosque agroflorestal com diversas espécies nativas frutíferas;
✔ piscicultura.fala-cae-cefa

Agroecologia e reposição florestal

viveirosA partir do CEFA, o projeto estruturou uma rede de viveiros comunitários para a produção de mudas de espécies frutíferas e florestais que são distribuídas junto às famílias interessadas em práticas de agricultura sustentável.

Visa a recuperação de áreas degradadas nas proximidades das comunidades, nos quintais e junto aos roçados familiares, oferecendo aos produtores os instrumentos necessários para implantação de sistemas agroflorestais, permaculturais, entre outras práticas mais eficientes, eficazes e amigáveis ao meio ambiente.

Desta forma, além de contribuir com a manutenção da floresta em pé, os agricultores familiares são incentivados a agregarem valor à sua produção, com a diversificação de espécies com valor de mercado, e a experimentação da venda de créditos de reposição florestal.

Capacitação e Assistência Técnica Rural

aterokJuntamente com diversos parceiros, estruturamos a assistência técnica (capacitação, investimentos, incentivos, articulações, assessoria organizacional e gerencial) para apoiar as comunidades no melhor aproveitamento dos produtos do extrativismo, na agricultura familiar, na criação de pequenos animais, na recuperação de áreas degradadas e em atividades de manejo e reposição florestal.

Desde 2014 desenvolvemos através de um contrato de prestação de serviços, através de edital público junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário/ INCRA e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, um programa de ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural junto a 26 comunidades da Resex (outras comunidades são atendidas por outras entidades).

O serviço busca fortalecer a produção, a gestão e a comercialização de produtos da agricultura familiar e do extrativismo, com o uso racional dos recursos naturais, visando garantir a segurança alimentar, a melhoria da renda e a inclusão social da população extrativista.

Arranjos socioprodutivos e agroflorestais

mosaico-artesanatoDesenvolvemos também atividades de acordo com estudos técnicos do potencial produtivo existente nas comunidades, das maiores necessidades de mercado, e das práticas de produção de matéria-prima e beneficiamento mais adequadas para as eventuais empresas compradoras.

A proposta é agregar valor à produção extrativista e da agricultura familiar (reposição florestal, mudas e sementes, óleos vegetais e essenciais) incluindo as comunidades no mercado de produtos da sociobiodiversidade, com a adequada repartição de benefícios. Entre essas ações está a capacitação e o apoio às associações locais na comercialização, estruturação de planos de negócios, cooperativismo, administração e gestão financeira.

No curso de jovens empreendedores, desenvolvemos também uma formação específica para a juventude, incluindo novas tecnologias, para que desenvolvam negócios a partir das vocações do território.

Experiências anteriores que já vem se consolidando na região, como Ecoturismo de Base Comunitária e a produção artesanal também são incentivadas, visando gerar renda a partir do aproveitamento sustentável dos potenciais naturais da região.

 

Ações socioambientais integradas e complementares

complementarNosso trabalho também envolve a continuidade de ações que buscam a melhoria das condições de saúde, educação, acesso à comunicação, formação e oportunidades para a juventude e valorização da cultura tradicional. O programa também promove a educação ambiental e comunitária, apoiando os talentos e capacidades individuais e coletivas, favorecendo a ampla participação e mobilização dos moradores na conquista de sua cidadania e qualidade de vida no território em que vive.

Alguns destaques na imprensa:

1-   Rede Mocoronga:Centro Experimental Floresta Ativa é Inaugurado na Resex Tapajos-Arapiuns”

2- G1 Santarém: “Comunidade em Santarém ganha centro de práticas sustentáveis”

3- TV Tapajós, Vem com a gente: “Floresta Ativa na resex Tapajós-Arapiuns incentiva desenvolvimento sustentável”

4- TV Tapajós, Vem com a gente: “Agricultores são beneficiados com implantação do CEFA”

5- TV Tapajós, Vem com a gente: “Meliponicultura ganha adeptos na Resex”

6- Rede Mocoronga: “Aldeia inaugura sistema de água encanada com energia solar e gestão comunitária”

7- TV Tapajós: “Economia Criativa ganha adeptos em Santarém”