Artesanato da Floresta

 
A partir da idealização do projeto por Márcia Gama, artista plástica, arte educadora e empreendedora social à frente do Núcleo de Gênero Mulher Cabocla do Projeto Saúde e Alegria, em meados dos anos 90 teve início o Projeto de Resgate da Cestaria em Palha de Tucumã e Geração de Renda em Urucureá, Rio Arapiuns, financiado na época pela Embaixada Inglesa no Brasil.O resgate e a valorização do artesanato foram os motivos pelos quais se desenvolveu o projeto. A pouca saída dos produtos e de canais para a comercialização da produção não estimulava as artesãs, o que contribuía para o abandono da técnica tradicional do trançado de fibras.artesanatoSOL1-2Apesar da beleza da técnica, os formatos eram pouco explorados e as cores eram pigmentadas a partir do uso de corantes químicos. Cada artesã criava e comercializava seus produtos individualmente e não havia uma estratégia comum, tampouco controle de qualidade na produção.Para reverter este cenário, a coordenadora do Núcleo, Márcia Gama, criou a primeira coleção, e junto a sua equipe promoveu o resgate do uso de pigmentos naturais com as artesãs mais antigas, o que agregou valor ideológico ao produto, além da padronização dos artigos com vistas ao mercado consumidor. Ao final dessa primeira etapa de aperfeiçoamento, as primeiras amostras já prometiam sucesso de vendas, pela beleza e diferença de padrão em relação aos produtos anteriores.

Resultado. Novos mercados para além dos rios da Amazônia estavam sendo conquistados, impulsionados pela participação e sucesso de vendas em eventos e exposições, como a ExpoFlora em Rio Branco/AC, ExpoAmazônia em São Paulo/SP, entre outros, permitindo assim articular compradores fixos e encomendas regulares.

Em 1996, a iniciativa foi convidada pela Ong Amanakaá Amazon Network para participar da Semana da Amazônia em Nova York-EUA, tanto como palestrante na categoria “Experiências de Destaque nos Econegócios”, como para exposição dos produtos, todos comercializados ainda no primeiro dia de evento.

Como um dos Programas do PSA é o Desenvolvimento Territorial tendo como ponto de partida o apoio à gestão comunitária, uma nova etapa se iniciava junto às artesãs, a busca pela autonomia do empreendimento, regularização e formalização. Em 2000 foi criada a Associação de Moradores e Produtores Rurais e Extrativistas de Urucureá – ASMOPREURA.

Diante do potencial desta atividade, iniciou-se um processo para aumentar a produção de cestarias. Foi estabelecida uma parceria com o IMAFLORA para o manejo das matérias-primas (tucumã como base para as peças, além dos pigmentos vegetais como crajiru, jenipapo, urucum, mangarataia e capiranga), assim como adequar as práticas às normas de certificação socioambiental. Em 2007, foi obtido o selo FSC.

A iniciativa mostrou que, através do apoio e assessoria, a valorização da cultura local torna-se exemplo de empreendimento econômico sustentável, promovendo a geração de renda, a valorização da mulher, o resgate da cultura tradicional e a conservação da floresta em pé. Como reconhecimento do êxito, em 2002 o PSA recebeu o Prêmio “Cidadania e Iniciativas Sociais Inovadoras” do Banco Mundial e o Premio Nacional de “Planos de Negócios” da ASHOKA-McKINSEY (2005), entre outros reconhecimentos.

A partir de 2008, o Saúde e Alegria, com apoio de vários parceiros e designers, expandiu a experiência para outras comunidades da região, diversificando também os produtos.

Atualmente participam do programa de Artesanato da Floresta mais de 100 artesãs de 6 polos comunitários. Os produtos são comercializados com o apoio do PSA com a marca coletiva Tramas e Cores – Artesanato da Amazônia. Desde maio de 2015, as artesãs e artesãos que fazem Tramas & Cores, fazem parte da Cooperativa de Turismo e Artesanato da Floresta – TURIARTE.