Mapeamento Participativo


A apropriação irregular de áreas públicas e a pressão sobre os recursos naturais são sérios problemas na Amazônia, que contribuem para o desmatamento da região e afetam os direitos das comunidades tradicionais por territórios historicamente manejados por estas populações. Há uma grande demanda pelo ordenamento fundiário, o que vem sendo amenizado pelas iniciativas do Governo Federal com a criação de novas áreas de proteção e assentamentos. Porém, o problema continua presente, visto que muitas áreas continuam "desprotegidas" das políticas ambientais e da reforma agrária.

Diante disso, o Saúde & Alegria vem apoiando as comunidades de áreas protegidas já criadas e de regiões com conflitos fundiários, através de capacitações e do uso de ferramentas do Geoprocessamento (conjunto de tecnologias de coleta, tratamento e visualização de dados geográficos) para que possam ter uma participação ativa na gestão de seus territórios.

Através da metodologia do Mapeamento Participativo, as comunidades tradicionais - indígenas, varzeiros, ribeirinhos e quilombolas - têm a oportunidade de documentar os territórios onde vivem. A partir da experiência e do conhecimento pessoal, os comunitários constroem os mapas da região onde moram há décadas. Neles, são reunidas todas as informações que possuem: a presença dos ramais, as infraestruturas, igarapés, lagos, áreas de extrativismo, áreas de conflito pela madeira, pelo pescado, desmatamento, pastagem e o avanço do agronegócio.

Assim, os GPS e mapas tornam-se armas nas mãos dos ribeirinhos como instrumentos de resistência à grilagem e à apropriação indevida dos recursos naturais. Servem de base para a elaboração de planos de manejo, e transformam-se em "documentos da realidade" que também servem aos órgãos públicos na aplicação de políticas mais adequadas para a região.