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Os três municípios do Médio Amazonas onde o Saúde & Alegria
atua - Santarém, Belterra e Aveiro - abrangem uma área territorial
total de 44.025 km2, onde residem 292.650 habitantes. Um terço da população está
na área rural - principal foco de trabalho do PSA - distribuída em comunidades
ao longo de rios e estradas, que variam entre 5 a 200 famílias, ocupando terras
devolutas ou áreas de Unidades de Conservação como a Reserva Extrativista
Tapajós/Arapiuns e a Floresta Nacional do Tapajós.
As comunidades compõem-se
majoritariamente de povos tradicionais, em sua maioria caboclos – descendentes
de índios – que produzem para subsistência e praticam extrativismo e agricultura
itinerante. Vivem da caça, pesca artesanal, coleta de produtos da floresta,
plantio da mandioca e lavouras regionais, sendo muito baixa a circulação de
moeda.
Atualmente os ribeirinhos vêm enfrentando o
rápido esgotamento dos recursos naturais causado pela pesca comercial, extração
madeireira, grandes queimadas, pressão populacional e expansão da fronteira
agrícola, não conseguindo mais garantir a própria subsistência.
O sistema
público dos municípios, embora venha se aperfeiçoando, ainda tem alcance
insuficiente na área rural em função das grandes distâncias, baixa arrecadação e
dificuldades de comunicação e transporte, deixando estas populações praticamente
excluídas.
A Saúde consta como uma das maiores
reivindicações dos moradores e adquire caráter emergencial. Doenças simples, de
origem primária, tornam-se graves devido à falta de intervenção efetiva e
adequada. Os índices de desnutrição são elevados, atingindo quase 10% de todas
as crianças até 2 anos, e a mortalidade infantil é bastante alta - 15,7% dos
óbitos que acontecem na comunidade são de crianças até 1 ano, quase o dobro da
média nacional – a maioria decorrente de diarréias ou doenças infecciosas
preveníveis (Fonte: Diagnóstico de Saúde/ PSA-2002).
A Rede Educacional também
funciona de maneira insatisfatória. Na maioria das comunidades, só há escolas de
primeira à quarta séries – somente 40% dos maiores de 6 anos tem acesso ao
segundo ciclo (quinta a oitava séries) e apenas 7,5% dos maiores de 15 anos ao
ensino médio completo (Fonte: Diagnóstico de Saúde / PSA-2002). As instalações
são precárias, o currículo segue padrões nacionais pouco apropriados à realidade
local, e os professores carecem de preparo adequado.
As comunidades, em geral, estão isoladas dos acontecimentos do restante do
mundo, tendo no rádio o principal veículo de comunicação. No entanto, estas
populações ainda detêm profundos conhecimentos tradicionais acerca da Amazônia e
do manejo dos seus recursos naturais, mesmo porque a sua sobrevivência depende
deste saber.
Apesar disso, a
cultura envolvente das grandes cidades vem chegando nessas localidades,
influenciando sobretudo os segmentos mais jovens – 47,5% da população é menor de
15 anos - que mudam-se para os centros urbanos em busca da continuação dos
estudos ou emprego. Assim, toda a cultura tradicional, transmitida oralmente de
geração a geração, vem desaparecendo rapidamente.
Habitam uma região
extremamente rica em recursos, mas estão submetidos a um processo de empobrecimento
crescente, principalmente porque suas potencialidades são mal aproveitadas,
faltando, basicamente, apoio técnico, incentivo e retaguarda institucional
adequados para que se desenvolvam.
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