Os Antecedentes


A Segunda Etapa

(1991-1994)

"A crise financeira

trouxe dificuldades,

 mas o Projeto sobreviveu"


Prioridades de Médio e Longo Prazo

Com a atenuação do quadro de saúde, o trabalho avançava para novas prioridades de médio e longo prazo ligadas à educação, produção econômica, defesa do meio-ambiente e gestão comunitária. No entanto, a evolução programática prevista inicialmente ficou bastante comprometida com a extinção do FINSOCIAL/ BNDES pelo governo do presidente Fernando Collor, impossibilitando a renovação do convênio. O Saúde & Alegria perdeu repentinamente sua fonte de financia- mento, ingressando em um período de extrema instabilidade financeira.

A partir de pequenas colaborações, foi possível manter uma equipe mínima trabalhando praticamente de maneira voluntária, além das atividades básicas que não podiam ser interrompidas – distribuição de cloro, vacinação e acompanhamento da saúde das crianças até 5 anos. Com recursos limitados para viagens a campo, procurou-se continuar o apoio técnico aos grupos multiplicadores utilizando métodos de ensino à distância através do uso das Rádios Rurais/AM nas campanhas educativas e da distribuição de materiais didáticos.

Apesar das dificuldades, as comunidades sempre demonstraram determinação na continuidade da proposta, garantindo o andamento mínimo dos programas mais prioritários. Mesmo assim, após quase três anos de instabilidade financeira e insuficiência de suporte técnico, não foi possível evitar o recrudescimento de alguns indicadores, tais como o aumento de casos de diarréia e desnutrição, e a desmobilização de alguns grupos.

O momento de crise coincidiu com o período preparatório da Rio-92, quando a Amazônia esteve em grande evidência internacional. Nesta época, o Saúde & Alegria se inseriu no movimento ambientalista, sendo inclusive uma das seis experiências selecionadas para representar oficialmente o Brasil na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (UNCED-92).

A boa repercussão obtida pelo Saúde & Alegria aproximou-o de diversas Agencias de Cooperação. Em 1993, foram negociadas propostas de apoio junto à Instituições financiadoras que puderam se viabilizar no ano seguinte, possibilitando a recontratação do quadro técnico, a retomada das viagens de campo, a elaboração de um novo diagnostico participativo, e um intenso trabalho de remobilização comunitária.

Ao final de 1994, foi realizado o II Encontro Geral do Saúde & Alegria, quando foram definidas estratégias para dar prosseguimento ao processo de revitalização dos programas básicos, e o Conselho Intercomunitário passou a contar com uma Diretoria eleita pelas próprias comunidades para compartilhar de forma continuada a gestão dos trabalhos juntamente com a equipe técnica do PSA.


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