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Os
Antecedentes
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A Terceira Etapa
(1995-2001) |
“Aprofundando e integrando as ações junto a
todos os
segmentos comunitários”
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Desenvolvimento Integrado e Capacitação para
Gestão Comunitária
As dificuldades enfrentadas na etapa
anterior demandaram ainda dois anos de trabalho dirigidos para a
recuperação plena do PSA, tendo como marco de retomada da evolução
programática interrompida em 1991 a realização do III Encontro Geral do
Saúde & Alegria ao final de 1996.
As experiências antecedentes permitiram
amadurecer alguns princípios do Saúde & Alegria. O estabelecimento de
parcerias com entidades afins publicas e privadas foi priorizado,
intensificou-se o apoio à organização comunitária e procurou-se trabalhar
de forma adaptada junto a cada localidade, definindo suas demandas
específicas e capacidade de contrapartida para a gestão das ações
implementadas. Enquanto algumas atividades abrangeram toda área de atuação
- ampliada de 16 para 31 comunidades - outras de cunho experimental e
demonstrativo foram dirigidas somente aos grupos realmente ativos e
interessados, sendo multiplicadas posteriormente.
Com estas medidas, pôde-se
otimizar a relação custo-benefício de todo o trabalho, ampliar o espectro
de atividades, fortalecer os mecanismos de apropriação popular da
proposta, bem como aprofundar e interagir os conteúdos dos quatro grandes
programas do PSA - Saúde; Economia da Floresta; Educação, Cultura e
Comunicação; e Organização e Gestão Comunitária - em torno do
desenvolvimento comunitário integrado.
Na área de Saúde, os Monitores capacitados anteriormente foram contratados pelas
Prefeituras como Agentes Comunitários de Saúde - ACSs - garantindo a
perpetuação dos trabalhos pelos mesmos. O sistema de atendimentos médicos
e odontológicos foi readequado de acordo com os normativos municipais de
referenciamento e contra-referenciamento. As campanhas regulares de
multivacinação passaram a ser realizadas em parceria com o Poder Público e
Órgãos locais de Ensino. Como complemento às ações educativas de higiene e
saneamento, foram implementados poços, pedras sanitárias, micro-sistemas
de água encanada e kits para fabricação local de cloro. A saúde
reprodutiva se tornou um importante sub-programa, envolvendo dinâmicas em
torno de tabus como a sexualidade e relações de gênero, orientações para o
planejamento familiar, prevenção às DST/AIDS, combate à desnutrição,
capacitação de parteiras tradicionais, e cuidados com a saúde da mulher e
da criança. Para fortalecer o componente participativo, foram ainda
criadas Comissões Locais Integradas de Saúde - CLIS - junto as localidades,
formadas por agentes, lideranças e usuários do sistema, responsáveis pela
gestão dos trabalhos e interlocução com as políticas públicas.
O setor de
Economia da Floresta, que nas etapas anteriores enfrentou o desafio de
elevar e diversificar a oferta de alimentos, representou nesta fase o
alicerce para o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades.
Foram implementadas iniciativas demonstrativas de sistemas agroflorestais,
manejo florestal, beneficiamento de frutas, criação de pequenos animais,
energias renováveis e micro-crédito, sempre visando a elevação da renda
familiar a partir de práticas ecologicamente corretas. O trabalho
antecedente junto aos Clubes de Mães fez surgir o sub-programa Mulher
Cabocla, apoiando os segmentos femininos na produção e comercialização de
gêneros alimentícios - doces, bombons, geléias, etc e artigos com
demanda de mercado nos principais centros do país - cestarias de palha,
redes e artesanatos em geral. O setor procurou também estimular a
formalização de associações comunitárias, regidas por planos de uso dos
recursos naturais, contribuindo para o bom manejo das atividades
produtivas, além de constituir natureza jurídica aos negócios.
O programa
de Educação, Cultura e Comunicação foi o responsável em apoiar os demais
setores em todos os processos pedagógicos, além das ações específicas
dirigidas aos segmentos infanto-juvenis, procurando transformar as Escolas
em centros difusores do “saber” formal e informal. Os professores foram
envolvidos como multiplicadores do trabalho e capacitados para aplicação
de técnicas que pudessem dinamizar o ensino e aproximá-lo da realidade
local. Jovens foram formados como repórteres rurais para a produção e
veiculação regular de programas de rádio, vídeos e jornais comunitários
com conteúdos gerais e educativos, constituindo a Rede Mocoronga de
Comunicação Popular. Através do sub-programa Monitor-Mirim, para crianças
de 6 a 12 anos, foram realizadas oficinas abordando temas de saúde,
educação ambiental e resgate cultural, tornando o aprendizado prazeroso a
partir do uso do lúdico e da arte-educação. E o Circo Mocorongo foi
apropriado pela população, com apresentações organizadas pelos próprios
moradores mesmo sem a presença da equipe do Saúde & Alegria.
A Organização
e Gestão Comunitária adquiriu caráter prioritário nesta etapa, entendida
como o principal instrumento para a autonomia das comunidades e
sustentabilidade das ações implementadas. Neste sentido, lideranças foram
capacitadas em educação para a cidadania e gerenciamento do
desenvolvimento comunittário. Através da assessoria para aplicação de
técnicas adaptadas de avaliação, planejamento e administração na
condução local dos trabalhos, as comunidades foram instrumentalizadas para
avançar no processo de auto-gestão. Somou-se a isto a realização de várias
oficinas e seminários abordando temas como a globalização, direitos e
deveres, e terceiro setor, o que possibilitou ampliar a participação
direta da população rural junto às instancias voltadas para o
aprimoramento das políticas públicas tais como os diversos conselhos
municipais e movimentos amazônicos existentes, contribuindo para a redução
dos níveis de exclusão social.
Ao final de 2001, foi realizado o IV
Encontro Geral do Saúde & Alegria, com a participação de quase 2000
lideranças e a constatação dos avanços obtidos na etapa. Além da melhoria
significativa dos indicadores de qualidade de vida - organização social,
saúde básica, renda familiar, educação e meio ambiente - um dos melhores
resultados de caráter qualitativo foi a mobilização alcançada e o capital
humano acumulado a partir dos agentes multiplicadores e voluntários
capacitados – ACSs, parteiras, produtores, professores, monitores-mirins,
grupos de jovens e de mulheres - compondo em grande parte a garantia da
sustentabilidade social da proposta e criando as condições necessárias
para a consolidação de um modelo integral, amplo e participativo de
desenvolvimento onde todos sejam não apenas beneficiários, mas também co-responsáveis pela sua construção.
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