A Etapa Atual e Perspectivas


A Quarta  Etapa

(2002 - em andamento)

 

 

"Iniciando a multiplicação da experiência e mudando de escala"

As iniciativas implementadas ao longo dos anos pelo Saúde & Alegria, em conjunto com 31 comunidades, permitiram construir metodologias e tecnologias sociais adaptadas e demonstrativas, de baixo custo e alto impacto,  passíveis de replicação junto a outras áreas e contextos, seja de forma integral – Desenvolvimento Global – ou parcial através dos sub-componentes de saúde, geração de renda, educação, jovens, crianças e mulheres.

É sob este desafio que o Saúde & Alegria ingressou em 2002 na sua quarta etapa estratégica - Sustentabilidade e Integração às Políticas Públicas - voltada para a consolidação, perpetuação e multiplicação dos programas iniciados, reforçando o conceito do trabalho em rede e estabelecendo parcerias interinstitucionais com órgãos governamentais, não-governamentais e movimentos de base.

A área de atuação do Saúde &  Alegria foi redimensionada para se adequar aos mecanismos de gestão pública, sendo ampliada em 2003 para 143 comunidades (29.000 pessoas), abrangendo toda a população de duas Unidades de Conservação - Floresta Nacional do Tapajós (Flona) e Reserva Extrativista Tapajós/Arapiuns (Resex) - e das microrregiões do Entorno. 

De modo a viabilizar o processo de multiplicação das experiências, foram formalizadas parcerias com o IBAMA/Governo Federal para as ações dirigidas às Unidades de Conservação, e com as Prefeituras para as atividades municipalizadas como a saúde e a educação. Para adaptar os mecanismos de avaliação e planejamento participativos à nova área de atuação, o antigo Conselho Intercomunitário foi reestruturado se constituindo em um fórum composto pelas organizações de base representativas, como os Sindicatos de Trabalhadores Rurais e Associações das comunidades da Flona, Resex e Assentamentos. Os programas interdisciplinares do PSA foram readequados para interação com o Poder Público, incorporação de novos sub-componentes, e formação de formadores a partir da rede de agentes locais multiplicadores.

Desde então, a ampliação dos trabalhos para as novas comunidades vem tendo como eixo principal o Programa de Saúde, orientado nesta etapa para a consolidação de um modelo adaptado e demonstrativo de atenção primária, participativo e integrado ao sistema público. O programa passou a envolver e capacitar a rede de agentes de saúde de toda área de cobertura, e a esta, se somou o quadro de parteiras, organizadas através da criação da Associação “Mãos que Aparam Vidas”, primeira do gênero no Oeste do Pará. Aliada às campanhas preventivas, infra-estruturas de saneamento básico estão sendo implantadas de modo a garantir que até 2007, todas as 4.711 famílias tenham acesso a água de qualidade e sanitários adequados.

METAS DE SANEAMENTO BÁSICO

Enfrentando as causas da mortalidade infantil

  

Com o intuito de melhorar as condições assistenciais, estão sendo construídos Postos Rurais de Saúde complementares aos já existentes em parceria com as Secretarias Municipais, além da incorporação de uma ambulancha para remoções e um barco-hospital para atendimentos médicos e odontológicos regulares junto aos pólos de maior concentração populacional e carência destes tipos de serviços. Para notificação de emergências e orientações à distância, foram instalados radiocomunicadores movidos a energia solar permitindo agilizar a comunicação entre as comunidades, unidades hospitalares de Santarém e a sede do Saúde &  Alegria.

 

Barco Hospital (funcionamento em 2006): meta de 2500 famílias com acesso regular à assistência médica e odontológica.

Posto de Saúde: sete unidades construídas até 2005 em parceria com o poder público em pólos estratégicos da zona rural, melhorando o acesso aos serviços assistência em áreas isoladas.

Micro-Sistema de Abastecimentos:

20 sistemas implantados até 2005, levando água encanada à casa de cada família.

 

Poços Semi-artesianos: mais de 150 poços perfurados até 2006 beneficiando os locais não atingidos pela água encanada.

 

 Kit Cloro: a partir do sal de cozinha e da eletrólise gerada por uma pequena placa solar, produz hipoclorito de sódio na posologia simplificada de duas gotas por litro para o tratamento da água de consumo.

Pedras sanitárias: construídas em multirão, vedam as fossas e reduzem os riscos de contaminação.


O Setor de Educação, Cultura e Comunicação, além de estar levando o Circo Mocorongo para as novas localidades como forma de apoiar o processo educativo,  está ampliando o número de sucursais rurais de jovens repórteres da Rede Mocoronga com a introdução de sistemas de rádio comunitária e kits para confecção de jornais locais em pólos estratégicos da atual área de cobertura, viabilizando o intercambio entre as comunidades com atuação antiga e recente.

REDE MOCORONGA

Ampliando a comunicação no apoio à educação juvenil e comunitária

Novas tecnologias de informação e comunicação também foram incorporadas à Rede, com a implementação em caráter experimental de duas iniciativas de inclusão digital - uma na Flona e outra na Resex – a partir da instalação de telecentros comunitários com computadores e acesso a Internet.

A aproximação com as Secretarias Municipais de Educação vem sendo o principal caminho para a sustentabilidade das ações - tanto as de comunicação popular junto aos segmentos juvenis, como as de arte-educação e meio ambiente na educação infantil - com os professores cada vez mais envolvidos, sinalizando para que possam gradualmente se integrar às políticas públicas da região.

Radiocomunicadores: mais de 70 sistemas instalados agilizando a comunicação entre as comunidades e os centros urbanos.

Kits de Rádio Comunitária: sistema de som, permitindo a produção e difusão de conteúdos educativos  e da cultura local

 

Inclusão Digital: telecentros culturais com acesso à internet.

 


Como estratégia para multiplicação em novas áreas das iniciativas promissoras implementadas anteriormente, o Setor de Economia da Floresta intensificou sua participação nos Conselhos Consultivos e Deliberativos da Flona e Resex, e vem contribuindo ativamente na construção e monitoramento continuado das políticas ambientais e planos de manejo destas Unidades de Conservação. Ciente de que os impactos na renda familiar demandam tempo, as atividades de agroecologia, manejo florestal, SAF´s e criação de pequenos animais vem sendo aprofundadas de modo a acelerar este processo com investimentos no beneficiamento e na certificação ambiental para agregar mais valor aos produtos comercializados.

MICRO-CRÉDITO

Uma iniciativa promissora e sustentável de Geração de Renda

Foram ainda introduzidos novos sub-componentes ao Programa como oficinas de educação para o trabalho dirigidas a grupos de mulheres e adolescentes, uma iniciativa-piloto de ecoturismo de base comunitária em parceria com o Projeto Bagagem,  uma linha específica de micro-crédito para Jovens Empreendedores, e a implantação de sistemas de energia renovável de caráter produtivo.  O desafio atual e futuro  está em fortalecer as organizações comunitárias para que a população local possa aprimorar sua capacidade de gestão e as garantias de sustentação econômica e ambiental a longo prazo.

 

Micro-Crédito: viabilizando a abertura de  pequenos negócios.

 

Eletrificação Rural: criando as condições básicas para o desenvolvimento

 

Ecoturismo de Base Comunitária: em parceria com o "Projeto Bagagem, pacotes de visitação que incluem as belezas naturais da região e o conhecimento da realidade do povo ribeirinho da Amazônia


Há ainda um longo caminho a percorrer para consolidar o processo iniciado nesta Etapa IV de multiplicação dos trabalhos para um número maior de beneficiários. Apesar disso, a experiência está trazendo um grande aprendizado em torno do desafio de se mudar a escala de trabalho e massificar a aplicação dos programas, sem reduzir a qualidade das ações, nem onerar na mesma proporção os custos operacionais e gerenciais, de modo que não se perca o seu caráter demonstrativo. Ao final desta etapa, se efetuará uma sistematização global de toda experiência acumulada ao longo dos anos, incorporando as lições aprendidas de maneira a oferecer assessoria à entidades públicas, privadas e movimentos sociais para a reedição da Proposta Saúde & Alegria - integral ou parcialmente - junto à outros contextos e regiões (Etapa V – “Reflexão Global e Replicação da Proposta”).

De qualquer forma, alguns pressupostos da Etapa V já começaram a ter reflexos no momento atual. Em decorrência da credibilidade e resultados alcançados, tecnologias sociais desenvolvidas, citações na mídia e premiações obtidas, o Saúde & Alegria vem sendo demandado de forma crescente para assessorar outras instituições governamentais e não-governamentais. A ampliação de sua capacidade de articulação também está fortalecendo seu papel contributivo na formulação de políticas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, tendo inclusive iniciado o movimento pela construção da Agenda 21 Local nos municípios de Belterra e Santarém.

Como participante ativo de diversas instâncias interinstitucionais – Grupo de Trabalho Amazônico, Fórum Brasileiro de Ongs, entre outras – o Saúde & Alegria promoveu em 2002 na cidade de São Paulo o evento “AmazoniaBr”,  que contou com mais de 220.000 visitantes, procurando apresentar ao principal centro econômico do Brasil uma visão realista da Amazônia e dos seus habitantes, bem como as experiências positivas de desenvolvimento sustentado implementadas na região. A perspectiva é que este evento seja reeditado de forma itinerante em outros locais do país e do exterior, como já aconteceu em Campos de Jordão e no Rio de Janeiro (2004).

A preocupação segue sendo a busca de um futuro sustentável para a Amazônia nas diversas dimensões - social, cultural, econômica, ambiental e política – e o papel do Saúde & Alegria neste processo será continuar promovendo o exercício da cooperação entre as instituições e a construção de experiências práticas modelares que possam se multiplicar  e contribuir de maneira demonstrativa no aprimoramento das políticas sociais e  ambientais para região.


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